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Delma Godoy

imagemDelma Godoy é uma artista plástica, que se expressa através da cerâmica e outros materiais há mais de 25 anos. Com um trabalho voltado para a pesquisa de novos materiais e formas, vem ao longo de sua carreira, desenvolvendo um caminho inovador na arte nacional.

Em seus trabalhos de escultura mais recentes, a artista trabalha com 50 tipos de materiais, encontrados em diversos lugares do Brasil, e pesquisados nas mais diversas temperaturas. Os resultados alcançados são terras refratárias, de cores e texturas totalmente inéditas.

Delma Godoy


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CRÍTICAS/COMENTÁRIOS SOBRE A ARTISTA


JOAN LLUÍS MONTANÉ
De La Asosiación Internacional de Críticos de Arte
Zaragossa – Espanha (2006)

DE LA MATERIA, EL VIENTO Y EL MOVIMIENTO

“Delma Godoy investiga la materia, crisol de edades, material refractario, pliegues surcados por el viento.
La matéria ya no es tierra, es la masa, que al compás del espíritu que es el viento transforma su interior, gracias al movimiento de la energia.
Capta de forma expresiva los interiores de la tierra, de la materia, que es energia para asentar la esencia en la indiosincrasia de la biologia. Pero, después, viene el viento, silencio del alma, del momento interior, de la meditación que abre los chacras, que permite la evolución del espíritu hacia las capas idôneas de la dinámica de la trascendencia.
Libera energias, expande voluntades, siendo el movimiento del viento el causante de la transformación de la materia.
Oquedades, ángulos, recoveos, ángulos, momentos angulares, precisos, ensimismados, expresivos, contemplados y resituaciones que transformen la esencia. Trata de vivir la materia, sumergiéndola en vivencias, buscando aquellas zonas en las que la materia se une al cielo, convirtiéndola en cinetismo perenne, em idea que se transforma al compás del aliento celeste.
Su concepto de la materia no es biológico, pero parte de la biologia, con sus tierras refractarias, que se resistan a tirar la toalla de abandono terrenal, dado que están ahí, fruto de la evolución, buscando su trascendencia, incluso insinuando luz.”

FLÁVIO DE AQUINO
Crítico de Arte – Rio de Janeiro – Brasil (1984)

“As peças utilitárias são simples, mas de perfil elegante; as decorativas contorcem-se em formas barrocas e têm mais vibração em sua vitrificação colorida. Algumas assemelham-se a flores desabrochando ou folhas retorcendo-se. Delma, em suas cerâmicas, usa duas técnicas milenares: a chamada “terraglia”, feita com pasta terrosa, que após o cozimento passa a ter cor branca, à qual são acrescentados óxidos colorantes. No acabamento, um esmalte dá o brilho final. Há ainda as de “grés”, caracterizadas por sua massa compacta e impermeável, geralmente coberta por um revestimento vítreo e colorido. Delma Godoy domina perfeitamente, e com arte, as duas técnicas.”

JOÃO WESLEY
Crítico de Arte – Rio de Janeiro – Brasil (2003)

CINCO VERTENTES PARA BABEL

“Uma exposição coletiva com cinco ceramistas, denota, a priori, uma ênfase no campo da técnica, posto que, para se auto-intitular “ceramista”, o artista deve dominar um vasto repertório procedimentos lógicos que este meio específico da arte exige. Um atelier de cerâmica assemelha-se, em muitos casos, a um laboratório industrial. Suas paredes, na maioria das vezes, são revestidas de pequenas placas, que contém em si uma fórmula.
Mostruários, máquinas, fornos, tornos, marombas e uma variedade de materiais, constituem o cenário de atuação deste artista.

Delma Godoy simula em um pequeno ensaio cinético o movimento do cosmo. O ar extremamente leve e constante, corrói a resistente matéria fixada pela queima, sugerindo assim, uma paisagem circular em construção, ou uma paisagem se construindo permanentemente.
Este trabalho nos leva a refletir sobre o continuum a que tudo se submete, frente ao vício da segmentação, a que estamos habituados a usar na percepção da imagem natural.”

ANTONIO AUGUSTO MARX
Arquiteto e Artista Plástico – São Paulo – Brasil (1998)

“MOVIMENTOS SECRETOS”

“O sentimento estético que me acometeu ao ver a sua obra, foi de que eu estava presenciando algo de geodésico, algo mais do as três dimensões das nossas leis.
Foi algo relativo a “Tempo e Espaço”, atingindo o Universal. Uma sensação de atingir o infinito. Os pássaros, que não são pássaros e sim o espírito do vôo conquistando o infinito espacial. O movimento, sim! Pode-se dizer o movimento esculpido na matéria de textura fora do comum formado pelas suas mãos, que foi o veículo usado para projetar a sua compulsão artística, prenhe e rica de universalidade. “Pássaros” que não são pássaros, mas movimentos que pairam na atmosfera, transmitindo-me alegria, “epifania”.
Outras formas amorfas, quais as linhas de força e movimento, que compõem as suas criações, nos levam a algo como um sonho pela beleza que encerram. São círculos num todo, com arestas e planos profundamente harmonizados. Sem perder contudo o “Leit Motiv”, que é o infinito, que tem como caráter primordial, aquilo que o homem hoje e sempre procurou: a nossa origem, a de nossas galáxias, isto é, a origem da vida.
Sua obra, tenho a impressão, é cósmica! Não se prende a forma alguma, já conhecida. Posso dizer, em um contraponto, que ela possui a “FORMA”,
Talvez a do grande mistério de nossas origens. Sua obra é astronômica em dimensão e espírito.”

ÂNGELO DE AQUINO
Artista Plástico – Rio de Janeiro – Brasil (1984)

“Eu como viajante muitas
Vezes pergunto:
-De que é feito isto?
Me respondem:
-De barro
Barro. Penso. Repenso.
Barro. Infância mistério
Silêncio. Mas sempre barro
Viscoso. Mole. Poroso
Molhado. Barranco. Brinquedo
Me lembro dos dedos invadidos
Da pele manchada.
Daquele marron azulado
Encardido. Amarrotado.
De barro
De carne fresca
De carne ansiada
De lábios carnudos
De membros empinados.
Um viajante sem rumo
Com perguntas embotadas
Chão. Teto. Panela.
Cama. Estrada. Atalho.
Barro. Barro. Barro.
Um silêncio dobrado
No momento do nada.
Do tudo.
Do barro.”

CARLOS BRESEGHELLO
Artista Plástico – São Paulo – Brasil (1996)

PAISAGENS DE GAIA

A CAIXA DE PANDORA A MAGIA DE DELMA

“Este conjunto de obras que vejo agora, fez abrir alguma porta, ou “caixa” dentro de mim. Sempre imaginei como seria a forma do som do vento, ou ainda, a forma do mais puro silêncio. Me deparo com uma ponta de resposta diante dessa magia de Delma. Muitas coisas em nossa vidas não precisam de palavras para justificar. E, em um sonho quase que lisérgico, me transformo em água e vento, e entro e abraço o corpo e as cavidades desta obra. Sinto a sua textura bruta, arrepiada e cortante;
Junto a um som infinito de dor e gozo (talvez o prazer íntimo de Prometeu e seu abutre).
O prazer do artista em criar, é só dele.
Ninguém jamais vai sentir ou ter.
O de Delma, para mim, não se contém. Explode!
Sinto que é radioativo. Deliciosamente contagiante.”


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