Nasceu
em 1963. Desde muito cedo se apaixonou pelas artes visuais/oficinais. Concluiu o
Curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio e o Curso Superior de
Marketing e Publicidade do IADE, e ainda o Curso de Pintura da Sociedade
Nacional de Belas Artes.
Colecção "Com o Rei na Barriga"
A pintura, como qualquer forma de expressão, está muito para lá daquilo que
vemos ao olhar a tela.
Nesta série de obras, intitulada “Com o Rei na Barriga”, Ricardo Passos
remete-nos para um significado mais profundo do que o habitual “dar-se ares de
importante”.
Ao olharmos estas telas é impossível que nos passem despercebidas as questões
que o autor quis retratar; uma série de trabalhos que vem no seguimento das
anteriores, com abordagens de um universo estritamente feminino: a procriação, a
gravidez, a maternidade, a responsabilidade de criar e educar, e sobretudo a
responsabilidade de educar quem terá responsabilidades maiores.
Serão as rainhas apenas mães de crianças ou personagens cujo dever é maior que a
simples ventura de fruir a relação maternal?
Onde acaba o apelo da maternidade e começa o dever de gerar? Que papel estava
destinado às rainhas e aos príncipes herdeiros cujo nascimento tantas vezes era
ansiado como uma concretização de um tratado de paz?
“Com o Rei na Barriga” é um deleite para a vista, mas também um elemento de
reflexão sobre as obrigações adicionais da realeza.
Queria sentir os laços de amor que se vão tecendo entre mãe e filho mesmo antes
do nascimento. Queria encontrar-me. Queria emocionar-me ao ponto de me sentir
grávido para assim registar na tela todo o sentir do ser-se mãe. Mas não consigo!
Restou-me apenas pintar! Pintar usando a imaginação, impregnada de uma linguagem
assente na introspecção. Pintar a ternura, o afecto, o amor. Pintei a minha
emoção, que transmite um estado de alma, ou apenas e só um estado de corpo.
Pintei imaginando, porque nunca poderei sentir.
É o culminar de nove meses de espera, são as
primeiras dores, o rebentar das
águas, os gemidos, as contracções, o sangue que sai anunciando que vida nova
aí vem... Tudo um pouco mais intenso, mais violento, talvez mais
incomodativo até que a primeira fase de ³MATER².
Colecção "MENTES GORDAS, ALMAS MAGRAS"
Emoções sentidas por mulheres que por uma ou outra razão ocupam mais espaço no cosmos. Mulheres que tantas vezes gostariam de ser bailarinas mas que se veem obrigadas a dançar sozinhas, no escuro, em silêncio, no sonho... Pois se ousam falar das suas ambições são certamente motivo de riso ou até mesmo de exclusão por parte de uma sociedade onde o parecer se sobrepõe cada vez mais ao ser, uma sociedade de mentes gordas e almas magras.
Cirurgias estéticas, implantes de próteses, dietas rígidas, anabolizantes,
hormonas, química de ponta aplicada à estética, e tantas outras torturas
similares.
Modus vivendis. Nem sempre inócuos, nem sempre pouco dolorosos.
Verdadeiros rituais que obedecem a padrões estéticos impostos pela
sociedade, visando superar a perfeição, a harmonia, a beleza. Essa dádiva
natural e temporária que se transforma assim na eterna juventude de fartos
seios, finas cinturas, sem gorduras subcutâneas, sem rugas, acne ou
varizes, tentando perpetuar a sensualidade à flor da pele, esquecendo que
as virtudes humanas são efémeras e que apenas os deuses são eternos.
Contacto: umbidodourado @ netvisao.pt