Entrevista ao Artista - Paulo Themudo

 

Faça-nos um resumo de como se iniciou como artista plástica.

Nunca tive certezas, essa é a verdade. Posso basear-me na (nascer) minha infância, onde as tintas, crayons, guaches faziam parte dos meus dias tornando-se imperativo que não mais poderia viver senão impulsivamente num acto de criação contínuo.
Diz-se que se “Nasce”, acredito que sim que tenho um propósito de vida que pode ser levado aos outros através do testemunho dos meus trabalhos e que essa é uma das minhas fundamentais funções neste mundo.

O que é a arte para si?
A arte é para mim, pessoalmente, um estado de espírito, um exaltar evidente e necessário do “Eu” e dos “Outros”.
A arte é maior forma de expressão jamais conhecida de todos os tempos, pensando, que arte não está em tudo o que vemos, mas, podemos fazer arte através do que captam os nossos olhos e pela sensibilidade da matéria que tocamos.
A arte é numa palavra “Entrega”.

O que a leva a criar?
Não me vejo forçado a criar seja o que for mas sim obrigado a fazê-lo.
Existe uma necessidade extrema inerente em mim, regida por impulsos, que me comandam pela abstracção e libertam deste mundo para viver os meus mundos.
Acima de tudo e o mais importante “É-me impossível deixar de criar, porque, é uma exigência e uma necessidade impostas à minha nascença”
 

O que a inspira?
Não lhe chamaria inspiração…
Eu diria, que são momentos nos quais é inevitável criar.
Não tenho por sistema definir o que vou transportar para a tela, deixo simplesmente seguir a minha intuição e, talvez seja essa intuição a maior fonte de inspiração.
No que me respeita é o viver “Dentro de Um Corpo”, ou mesmo, o viver.

Como se sente ao criar?
Transportado para outra ou outras dimensões, como se o mundo não existisse à minha volta.

O que espera quando um público vê as suas obras, o que sente?
Espera-se o gostar, o apreciar e o saber da crítica.
Sendo que aceito bem a crítica, seja pela negativa ou pela positiva o sentimento é sempre bom, porque aprendo com a própria crítica. É isso que nos faz evoluir, caminhar para outros espaços, perceber e perceber-me.
Naturalmente há uma grande satisfação quando há admiração e reconhecimento do trabalho.

Qual a sua obra que mais a marcou e porquê?
Quase todas elas me trazem marcas…
Não é fácil precisar nenhuma delas, não sei mesmo como dizê-lo.

Quais os pontos altos da sua experiência como artista plástico?
O reconhecimento do meu trabalho.
É extremamente honroso poder transmitir aos outros o que me vai na alma.

Quais os planos futuros?
Ser a pessoa que sou e a que fui ao mesmo tempo.
Ou seja, criar sempre mais, desenvolver e evoluir sempre mais, ser acima de tudo, eu próprio.

Que conselhos dá a quem está a começar?
Tenham consciência da dedicação necessária. Aceitem-se como artistas, ou não, se acharem que realmente não o São.
Não desistir nunca sabendo que se tem o potencial necessário.
Fundamentalmente… Sejam humildes.
Aceitem a crítica.

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